CHEGOU O NATAL

CHEGOU O NATAL!


CAPITULO VII

Chegou o Natal! Aquele ar de festividade e fraternidade entre os homens contagiava a todos e, em especial a mim. Fazia mil planos mirabolantes para o “dia de Natal”. Calculava que Papai Noel iria me procurar e traria alguns dos mais sonhados brinquedos, talvez um trem de corda, uma bola, ou quem sabe, uma bicicleta. Cheguei até mesmo a calcular que se eu tivesse um pouquinho de sorte bateria um papinho com o “bom velhinho”.

Nessa ocasião ainda residia na mata e sozinho. Do alto vigiava os céus, na esperança de que Papai Noel me visse e descesse com sua renas e me trouxesse uns brinquedos que só conhecia das vitrines, e de longe!

De repente...Não menos que de repente, avistei Papai Noel que chagava em um carro preto. Talvez tivesse deixado suas renas pastando ou porque o automóvel na cidade era mais rápido.

Sem me importar qual o motivo, só vi que o bom velhinho entrou com um saco enorme de brinquedos em uma Vila de casa que ficava situado a uma dezena de metros adiante.

Ansioso, resolvi não esperar. Sai correndo em direção ao mesmo e “colei” no seu corpo querendo meus presentes. Afinal eu estava esperando primeiro, pensei!

Gozado, não sei porque aquele Papai Noel não me dava atenção, muito pelo contrário, quanto mais eu o assediava mais ele me empurrava, primeiro com os pés, depois com os braços e, finalmente, quando ninguém prestava atenção, me deu um dos maiores “cascudos” na cabeça que um menino de 5 ou 6 anos poderia suportar.

Chorando de dor e de ódio, retornei as matas e só consegui dormir, quando tomado pelo cansaço, desfaleci!

O tempo passou, mas minha mágoa e revolta, muito pelo contrário, aumentou!

Como todos eram enganados! Como esse Papai Noel é mau! Pensei.

Passaram-se os meses e, novamente, chegou o Natal. Já desiludido sem querer qualquer tipo de relacionamento com o Papai Noel, em meu refúgio nas matas, avistei mais uma vez o Papai Noel!

Desta vez, ele estava mais magro e andava a pé. No meu coração a revolta e o ódio pelas maldades que o mesmo praticava me tomava e consumia o corpo. Era preciso fazer alguma coisa!

Como um “Vingador” peguei uma pedra junto à calçada e sorrateiramente me aproximei do Papai Noel e violentamente lhe dei uma pedrada que o abateu imediatamente, chegando a ser socorrido por populares que, sem entender o que se passava, me xingavam e me expulsaram do local.

Coitados, pensei mais uma vez, eles não sabem aquele velhinho é mau!