FELIZ NATAL

FELIZ NATAL!


CAPITULO VI

Vida que segue, continuei naquela rotina que me dava um pouco de segurança e um primeiro referencial de vida.
Limitado ao idioma, pois, apesar de entender perfeitamente a todos, entretanto, não conseguia falar corretamente, ainda mais que limitado por um defeito de fonia que me fazia trocar o L por R somado a um forte sotaque estrangeiro, fizeram com que eu desenvolvesse um forte sentido de observação e, observando tudo e a todos, comecei a descobrir que existia a moeda e que só dinheiro comprava o que precisava.

Já “domado” passei a me afastar do meu habitat que era a rua Valparaiso e a Floresta da Tijuca e “desbravando” novos lugares cheguei a Praça Sães Pena onde notei que um senhor vendia plantas em vasos. Como as plantas eram meu forte, passei a recolher latas nas ruas e plantar mudas das mais diversas que retirava da Floresta da Tijuca e como não podia deixar de ser, das praças públicas e jardins das redondezas. Desta forma, já com renda própria, resolvi ampliar o negócio.

Como o Natal se aproximava, a procura pelas árvores de Natal era grande e a oferta era pouca, o que me motivou a encontrar um substituto para as mesmas nas minhas andanças pelo Rio antigo, passei por uma rua margeada de Casuarinas, sendo que seus galhos me chamaram a atenção pela semelhança com as “árvores de natal”.

Minha gente, quase depenei todas as arvores! Naquela época era costume a venda de manteiga a varejo e as latas de 20 litros eram jogadas as ruas para que o Lixeiro as levasse. Com um pouco de imaginação, cortava os galhos das Casuarinas, enchia as latas de manteiga de terra e “plantava” os galhos.

Sucesso absoluto!