FUGA SEM RUMO

 

FUGA SEM RUMO

Capítulo II

Era uma noite das mais sombrias, chuviscava e um lúgubre manto escuro cobria os céus. Como se todos estivesses prevendo uma tragédia, não brincavam, não conversavam, apenas se entreolhavam e sem outro qualquer gesto, se retiravam para dentro de suas tendas. lembro-me que Zaira, a cigana velha me apertou e me beijou como adivinhando que o destino estava traçado.
Era aproximadamente 5,30 horas da manhã, quando começaram os estrondos e os tiros. Soldados do Exército, armados de fuzis, revolveres e até mesmo metralhadoras, atiravam para todos os lados e num ato irracional, desumano e covarde, matavam a todos que corriam ou se mexiam.
Como num filme, vi meus tios, parentes e membros do clã serem friamente assassinados. Na confusão todos corriam desordenadamente e minha mãe num ato de desespero lançou-me dentro de um vagão de um trem de carga que se encontrava parado numa estação próxima ao acampamento e continuou a correr.
De dentro do trem vi as cenas seguintes que me marcaram e fizeram com que os cincos anos de idade passassem a valer 50 anos. Um tiro atingiu minha mãe nas costas . Imediatamente caiu . Um soldado totalmente tresloucado, como para se certificar que ela havia morrido, atravessou seus seios com uma baioneta . O sangue jorrou !
Eu desmaiei !