\n'; document.write(barra); } } changePage();
A TEMPESTADE PASSOU !
CAPITULO III
O trem seguia, não sei para onde e nem porque ele seguia.Simplesmente seguia
para lugar nenhum em busca de nada.
Encolhido, encoberto por capim e papeis velhos, sequer respirava mais forte com
medo.Medo de tudo, do ar, do sol, da chuva, enfim medo do mundo.
Sem comida, sem água e curiosamente sem fome e sede, apenas aguardava a hora de
chegar não sei onde para continuar a fugir.
Meus Deus, eu só queria fugir!
Corri tanto que fraco e cansado desfaleci no canto de uma rua.
Acordei! Estava no rio de Janeiro, a Cidade Maravilhosa!
A meu lado estava uma lixeira que alguém acabara de jogar restos de comida.
Aquele cheiro entrou pelas minhas narinas e por meus poros como se fosse musica.
Com as mãos comi aqueles restos que mais pareciam um Manjar dos deuses.
Gozado. Novamente, dormi!
CAPITULO IV
Pela manhã fui acordado por um barulho infernal. Parecia que o mundo iria se
acabar. Na inocência e na pureza dos cinco anos, vivendo em barracas, carroças e
tendas e no meio das matas, jamais poderia reconhecer que estava frente a frente
com um monstro dos mais terríveis e somente capaz de ser concebido em sonhos de
terror.
Era um bonde!
Tinha de me livrar daquele monstro. Era agora ou nunca. Comecei novamente a
correr. Corria em direção ao infinito. Só queria correr e, realmente corri até
que me deparei com uma visão que me era familiar. Era uma mata fechada. Como um
animal acuado, entrei mata adentro. E só quando tive a certeza de que não era
mais perseguido, parei!
Pela primeira vez me sentia em segurança. Jamais imaginaria que me sentiria tão
seguro sem ninguém ou nada por perto. Era incrível o que estava acontecendo. Só
poderia estar sonhando!
Não sei precisar quanto tempo passei naquela mata. A bem da verdade o sentido do
tempo e espaço me confundia. Somente tinha a certeza que ali eu sobreviveria;
Manga verde, cajás, banana, mamão e, em especial um verdadeiro pitéu: um arbusto
conhecido como trevo de três folhas ou azedinha me fazia esquecer de tudo.
E era o que mais queria. Esquecer, esquecer e esquecer...Mais uma vez, dormi!
Com muita raiva e de certo modo irado mesmo, acordei numa manhã e resolvi que
deveria ter alguém, ou melhor, alguma outra tribo que pudesse me juntar.
Como um animal silvestre, nervoso, desconfiado, temeroso, comecei a me aproximar
para perto das pessoas. Escondia-me entre as árvores e de soslaio, como um
explorador, examinava as pessoas, as coisas e indeciso retornava as matas.
Mais um dia se passava, a diferença entre o medo e a coragem era a necessidade.
Resolvi que iria enfrentar o mundo e, ai de quem me enfrentasse! Sinceramente eu
nem sabia o que iria fazer, eu só queria era viver como sempre vivi. Sem
limitações, sem preconceitos, apenas livre!